11/09/2021

Porto acolhe o Fórum Ecuménico Jovem

«Jovens e ecumenismo: a urgência de construir pontes» é o tema do encontro.

Será no próximo sábado, 18 de setembro, que terá lugar no Porto o Fórum Ecuménico Jovem (FEJ). Segundo nota enviada para VP «ao longo deste dia, jovens de várias Igrejas e comunidades cristãs existentes em Portugal percorrerão ruas do Porto e de Gaia, num percurso de partilha, encontro, caminho e celebração».
Esta será a 22ª edição do FEJ com o tema «Jovens e ecumenismo: a urgência de construir pontes». Um encontro anual que «congrega mais de duas centenas de jovens cristãos de diferentes Igrejas e comunidades, para juntos orarem, refletirem e aproximarem as Igrejas no diálogo e entendimento mútuos».
O FEJ é uma organização conjunta do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil (Igreja Católica) e dos Departamentos Juvenis das Igrejas Lusitana, Metodista e Presbiteriana, alargada também à Sociedade Bíblica de Portugal.
«O XXII FEJ assinala o 20º aniversário da assinatura da Carta Ecuménica pelas Igrejas da Europa. Assim, para celebrar os 12 pontos da carta ecuménica, o FEJ consistirá em 12 workshops espalhados pela cidade, em que cada um irá explorar um dos pontos da carta» – informa a organização.
Para inscrições e informações: FEJ (fej-2021.carrd.co)

RS
Voz Portucalense

09/09/2021

Mensagem conjunta pela proteção da criação do patriarca de Constantinopla Bartolomeu, do papa Francisco e do arcebispo de Cantuária Justin Welby

Durante mais de um ano, todos nós sentimos os efeitos devastadores de uma pandemia global: todos, pobres ou ricos, fracos ou fortes. Alguns têm estado mais protegidos ou mais vulneráveis do que outros, mas a rápida propagação da infeção fez com que dependêssemos uns dos outros nos nossos esforços para nos mantermos seguros. Percebemos que, ao enfrentar esta calamidade global, ninguém está seguro até que todos o estejam, que as nossas ações afetam realmente os outros e que o que hoje fazemos afeta o que vai acontecer amanhã.
Não são lições novas, mas tivemos de as enfrentar novamente. Não desperdicemos este momento. Temos de decidir que espécie de mundo queremos deixar às gerações futuras. Deus manda: «Escolhe, pois, a vida, para que vivas tu e a tua descendência» (Dt 30,19). Temos de escolher viver de forma diferente; temos de escolher a vida.
Setembro é celebrado por muitos cristãos como Tempo de Criação, uma oportunidade para rezar e proteger a criação de Deus. Enquanto os líderes mundiais se preparam para se reunirem em Glasgow em novembro para deliberar sobre o futuro do nosso planeta, rezamos por eles e refletimos sobre as escolhas que todos nós temos de fazer. Por conseguinte, como líderes das nossas Igrejas, exortamos todos, independentemente da sua fé ou da sua visão do mundo, a procurarem ouvir o grito da terra e das pessoas pobres, examinando o próprio comportamento e comprometendo-se a fazer sacrifícios significativos pelo bem da terra que Deus nos deu. 

A importância da sustentabilidade

Na nossa tradição cristã comum, as Escrituras e os santos oferecem perspetivas esclarecedoras para compreender tanto as realidades do presente como a promessa de algo maior do que aquilo que vivemos no momento atual. O conceito de administração – de responsabilidade individual e coletiva pelo nosso dom dado por Deus – constitui um ponto de partida essencial para a sustentabilidade social, económica e ambiental. No Novo Testamento lemos acerca do homem rico e insensato que acumula uma abundância de trigo, esquecendo que a sua vida é limitada (Lc 12,13-21). Ouvimos falar do filho pródigo, que reclama a sua herança antes do tempo apenas para a esbanjar e acabar com fome (Lc 15,11-32). Somos alertados para não fazermos opções a curto prazo, aparentemente de baixo custo, de construir sobre a areia em vez de construir sobre a rocha, para que a nossa casa comum resista às tempestades (Mt 7,24-27). Estes relatos convidam-nos a adotar uma visão mais ampla e a reconhecer o nosso lugar na longa história da humanidade.
Mas nós seguimos na direção oposta. Maximizámos os nossos próprios interesses em detrimento das gerações futuras. Centrando-nos na nossa riqueza, descobrimos que os bens de longo prazo, incluindo a abundância da natureza, são consumidos para obter ganhos a curto prazo. A tecnologia abriu novas possibilidades de progresso, mas também de acumulação de riqueza ilimitada, e muitos de nós comportamo-nos em moldes que demonstram pouca preocupação com as outras pessoas ou com os limites do planeta. A natureza é resiliente, mas delicada. Já estamos a assistir às consequências da nossa recusa em protegê-la e preservá-la (Gn 2,15). Temos agora, neste momento, uma oportunidade de nos arrependermos, de empreendermos resolutamente uma viragem, de nos dirigirmos na direção oposta. Temos de procurar a generosidade e a justiça na forma como vivemos, trabalhamos e utilizamos o dinheiro, mais do que o proveito egoísta.

O impacto nas pessoas que convivem com a pobreza

A atual crise climática diz muito sobre quem somos e como vemos e tratamos a criação de Deus. Estamos perante uma justiça severa: perda de biodiversidade, degradação ambiental e alterações climáticas são as consequências inevitáveis das nossas ações, uma vez que consumimos avidamente mais recursos da terra do que o planeta pode suportar. Mas também nos deparamos com uma profunda injustiça: as pessoas que sofrem as consequências mais catastróficas de tais abusos são as mais pobres do planeta e as que tiveram menos responsabilidades em as causar. Servimos um Deus de justiça, que se compraz na criação e cria cada pessoa à Sua imagem, mas que também ouve o grito das pessoas pobres. Portanto, há em nós um chamamento inato a responder com angústia quando vemos esta injustiça devastadora.
Hoje estamos a pagar o preço. O clima extremo e as catástrofes naturais dos últimos meses revelam mais uma vez com grande força e a um grande impacto humano que as alterações climáticas não são apenas um desafio futuro, mas também uma questão de sobrevivência imediata e urgente. Inundações, incêndios e secas generalizadas ameaçam continentes inteiros. A subida do nível do mar obriga comunidades inteiras a deslocarem-se; os ciclones devastam regiões inteiras, arruinando vidas e meios de subsistência. A água tornou-se escassa e o abastecimento alimentar é incerto, causando conflitos e deslocações para milhões de pessoas. Já o vimos em locais onde as pessoas dependem de explorações agrícolas de pequena escala. Hoje, vemo-lo nos países mais industrializados, onde mesmo as infraestruturas sofisticadas não podem impedir completamente uma destruição extraordinária.
O amanhã poderá ser pior. As crianças e adolescentes de hoje enfrentarão consequências catastróficas se não assumirmos agora a responsabilidade, como «colaboradores de Deus» (Gn 2,4-7), de sustentar o nosso mundo. Ouvimos frequentemente falar de jovens que compreendem que o seu futuro está ameaçado. Para seu bem, temos de optar por comer, viajar, gastar, investir e viver de forma diferente, pensando não só no interesse e no lucro imediatos, mas também nos benefícios futuros. Arrependemo-nos dos pecados da nossa geração. Estamos lado a lado com os nossos irmãos e irmãs mais novos do mundo inteiro em oração devota e ação empenhada, por um futuro que corresponda cada vez mais às promessas de Deus.

O imperativo da cooperação

Durante a pandemia, apercebemo-nos de quão vulneráveis somos. Os nossos sistemas sociais cederam e descobrimos que não podemos controlar tudo. Temos de reconhecer que as formas como utilizamos o dinheiro e organizamos as nossas sociedades não beneficiaram a todos. Estamos frágeis e ansiosos, submersos numa série de crises: sanitária, ambiental, alimentar, económica e social, todas elas profundamente interligadas.
Tais crises colocam-nos perante uma escolha. Estamos na posição única de decidir se as enfrentamos com miopia e especulação ou se as aproveitamos como uma oportunidade de conversão e transformação. Se pensarmos na humanidade como uma família e trabalharmos juntos por um futuro baseado no bem comum, é possível que nos encontremos a viver num mundo muito diferente. Juntos podemos partilhar uma visão da vida em que todos prosperam. Juntos podemos optar por agir com amor, justiça e misericórdia. Juntos podemos caminhar em direção a uma sociedade mais justa e plena, com os mais vulneráveis no centro.
Mas isto implica fazer mudanças. Cada um de nós, individualmente, deve assumir a responsabilidade pela forma como os nossos recursos são utilizados. Este caminho exige uma colaboração cada vez mais estreita entre todas as Igrejas no seu compromisso de proteger a criação. Juntos, como comunidades, Igrejas, cidades e nações, temos de mudar de rumo e descobrir novas formas de trabalhar em conjunto para derrubar as barreiras tradicionais entre os povos, deixar de competir pelos recursos e começar a colaborar.
Aos que têm maiores responsabilidades - liderando administrações, gerindo empresas, empregando pessoas ou investindo fundos - dizemos: escolhei benefícios que se centrem nas pessoas; fazei sacrifícios a curto prazo para salvaguardar o futuro de todos nós; tornai-vos líderes na transição para economias justas e sustentáveis. «A quem muito foi dado, muito será pedido» (Lc 12,48).
Esta é a primeira vez que nós os três nos sentimos obrigados a abordar em conjunto a urgência da sustentabilidade ambiental, o seu impacto na pobreza persistente e a importância da cooperação global. Juntos, em nome das nossas comunidades, apelamos ao coração e à mente de cada cristão, de cada crente e de cada pessoa de boa vontade. Rezamos pelos nossos líderes que se vão reunir em Glasgow para decidir o futuro do nosso planeta e dos seus habitantes. Mais uma vez recordamos a Escritura: «Escolhei a vida, para que vivas tu e a tua descendência» (Dt 30,19). Escolher a vida significa fazer sacrifícios e exercitar o autocontrolo.
Todos nós – quem quer que sejamos e onde quer que estejamos – podemos desempenhar um papel na mudança da nossa resposta coletiva à ameaça sem precedentes das alterações climáticas e da degradação ambiental.
Proteger a criação de Deus é um mandato espiritual que exige uma resposta comprometida. Este é um momento crítico. Dele depende o futuro dos nossos filhos e da nossa casa comum.

1 de setembro de 2021

Patriarca Ecuménico Bartolomeu
Papa Francisco
Arcebispo de Cantuária Justin

31/08/2021

Tempo da Criação 2021

Todos os anos, de 1 de setembro a 4 de outubro, a família cristã une-se para a celebração mundial de oração e ação pela proteção da nossa casa comum. Como seguidores e seguidoras de Cristo, de todos os cantos do mundo, partilhamos um papel comum de guardiões e guardiãs da criação de Deus. Percebemos que nosso bem-estar está interligado com o bem-estar da criação. Alegramo-nos com esta oportunidade de cuidar de nossa casa comum e das irmãs e irmãos que nela habitam. Neste ano, o tema para este tempo é «Uma casa para todos? Renovando o Oikos de Deus».

Convite dos líderes religiosos para o Tempo da Criação

Caras irmãs e irmãos em Jesus, nosso Salvador e Senhor,
Do dia 1 de setembro a 4 de outubro, a família cristã celebra o belo dom da criação. Esta celebração global teve início em 1989 com o reconhecimento do Dia de Oração pela Criação por parte do Patriarcado Ecuménico, sendo hoje adotado pela comunidade ecuménica mais ampla. A oração é uma experiência e ferramenta poderosa para aumentar a conscientização e promover relações e ministérios transformadores.
O nosso tema este ano é «Uma casa para todos? Renovando o oikos de Deus». Esperamos trabalhar juntos para desenvolver um horizonte bíblico e cosmológico mais amplo, não apenas para sermos edificados pelos próprios textos, mas para desenvolvermos uma nova maneira de ver as Escrituras, a vida e a Terra, tudo no Oikos de Deus, e reconhecer a sabedoria de incontáveis irmãs e irmãos que ajuda a todos a renovar nosso mundo como uma amada comunidade global interligada e interdependente.
Nos Génesis, Deus colocou um firmamento, ou domo, sobre a Terra. A palavra "domo" é de onde obtemos palavras como "domicílio" e "doméstico" - por outras palavras, Deus coloca todos nós - todas as pessoas, toda a vida - sob o mesmo teto deste domo - estamos todos na casa, o oikos de Deus. Deus deu aos humanos o ministério de cultivar e guardar este oikos de Deus. O Rev. Dr. Martin Luther King Jr. e outros chamaram o oikos de Deus de “a Comunidade Amada”, uma comunidade na qual todos os seres vivos são igualmente membros, embora cada um tenha um papel diferente.
O oikos é uma casa para todos, mas agora está em perigo por causa da ganância, exploração, desrespeito, desconexão e degradação sistemática. Toda a criação ainda está a clamar. Desde o alvorecer da Revolução Industrial a geografia onde reconhecemos o poder criativo de Deus continua a diminuir. Hoje, apenas fragmentos da consciência humana reconhecem Deus a agir para restaurar e curar a Terra. Esquecemos que vivemos na casa de Deus, o oikos, a Comunidade Amada. A nossa interligação fundamental foi, na melhor das hipóteses, esquecida e, na pior, negada deliberadamente.
Esperamos e pedimos que nos possamos tornar novamente esta comunidade amada de discipulado intencional. Esperamos ir além dos aspetos programáticos e didáticos da vida para a vida profética e espiritual, para a ação e modo de vida, que é moldado por Jesus.
Que sejamos líderes para a renovação da vida, servos e servas de toda a vida na Comunidade Amada, o oikos de Deus.
Na graça de Deus,

Membros do Comité Consultivo do Tempo da Criação

O tema de 2021: «Uma casa para todos? Renovando o oikos de Deus»

Em cada ano, o comité diretivo ecuménico que organiza o Guia da Celebração propõe um tema para o Tempo da Criação. O tema de 2021 é «Uma casa para todos? Renovando o Oikos de Deus».
O salmista proclama: «ao Senhor pertence a terra e tudo o que nela se contém». Há duas declarações de fé no centro deste versículo. A primeira é que toda criatura pertence à comunidade da Terra. A segunda é que a comunidade inteira pertence ao Criador. Uma palavra grega para essa comunidade da Terra é oikos. Oikos é a raiz da palavra oikoumene, ou ecuménico, que descreve a nossa "casa comum", como o Papa Francisco lhe chama na Laudato Si’. A nossa casa comum, a Terra, pertence a Deus, e cada criatura amada pertence a esse oikos comum.
Enraizando nosso tema no conceito de oikos, destacamos a teia integral das relações que sustentam o bem-estar da Terra. A palavra ecologia (oikologia) descreve as relações entre animais, plantas, organismos não-sencientes e minerais, cada um com uma função vital para manter o equilíbrio desta comunidade amada. Cada criatura é importante e contribui para a saúde e resiliência do ecossistema em que vive com a sua biodiversidade. Os seres humanos pertencem à relação correta dentro dessa comunidade da Terra. Somos feitos da mesma matéria que a Terra, e somos cuidados
pelas nossas cocriaturas e pelo solo.
As relações humanas também têm um significado ecológico. Relações económicas (oikonomia), sociais e políticas afetam o equilíbrio da criação. Tudo o que fabricamos, usamos e produzimos tem a sua origem na Terra, tanto os minerais, como as plantas ou os animais. Os nossos hábitos de consumo de energia e de bens afetam a resiliência dos sistemas planetários e a capacidade da Terra de se curar a si mesma e sustentar a vida. As relações políticas e económicas têm efeitos diretos na família humana e nos membros “mais-que-humanos” do oikos de Deus. Gênesis 2, 15 lembra-nos que entre as cocriaturas, Deus deu aos humanos uma vocação especial de cultivar e guardar o oikos de Deus.
A nossa fé, razão e sabedoria são necessárias para sustentar relações ecológicas, sociais, económicas e políticas justas. Pela fé, unimo-nos ao salmista lembrando que não somos guardiões e guardiãs de uma criação inanimada, mas cuidadores e cuidadoras inseridos numa comunidade da criação dinâmica e viva. A Terra e tudo o que ela contém é um dom que nos é dado com confiança. Não somos chamados a dominar, mas a salvaguardar. Pela razão, nós discernimos a melhor forma de salvaguardar as condições
para a vida e de criar estruturas económicas, tecnológicas e políticas que se enraízem nos limites ecológicos da nossa casa comum. Pela sabedoria, prestamos atenção cuidadosa aos sistemas naturais e aos seus processos, às sabedorias herdadas e das tradições indígenas, e à revelação de Deus na palavra e no Espírito.
Há séculos, nós, humanos (anthropoi) ordenamos as nossas vidas e as nossas economias de acordo com a lógica dos mercados e não dos limites da Terra. Esta lógica falsa explora o oikos de Deus e faz da criação um meio para fins económicos e políticos. A atual exploração do solo, das plantas, dos animais e minerais em função do o lucro resulta na perda de habitats que são a casa de milhões de espécies, incluindo humanos cujas casas ficam sob o risco dos conflitos climáticos, perdas e danos. A razão diz-nos que, nesta era do antropoceno, a desintegração e exclusão ecológica e social causam a atual crise climática e aceleram a instabilidade ecológica. A sabedoria torna-nos prontos para encontrar as respostas e os caminhos para construir economias de vida sustentáveis e sistemas políticos justos que possam sustentar a vida para o planeta e para as pessoas.
A fé faz-nos confiar que o Espírito de Deus renova a face da Terra constantemente. Neste horizonte de esperança, o nosso chamamento batismal liberta-nos para retornarmos à nossa vocação humana de cultivar e guardar o jardim de Deus. Em Cristo, Deus chama-nos a participar da renovação de toda a Terra habitada, salvaguardando um lugar para cada criatura e recriando relações justas entre toda a criação.
Durante este Tempo da Criação litúrgico, a família cristã ecuménica chama cada casa e toda a sociedade para se arrepender e reformular os nossos sistemas políticos, sociais e económicos rumo a economias de vida justas e sustentáveis, que respeitem os limites ecológicos vitais da nossa casa comum.
Esperamos que este Tempo da Criação renove a nossa unidade ecuménica no nosso chamamento batismal para cuidar e sustentar uma viragem ecológica que garanta que todas as criaturas encontram uma casa onde possam florescer e participam da renovação do oikos de Deus.

Oração

Criador de todas as coisas,
Nos Te agradecemos porque, na Tua comunhão de amor, criaste o nosso planeta para ser uma casa para todos. Pela Tua Sagrada Sabedoria, fizeste a Terra para produzir uma diversidade de seres vivos que enchem o solo, a água e o ar. Cada parte da criação Te louva no seu ser e cada criatura cuida das outras a partir do seu próprio lugar na teia da vida.
Com o salmista, nós Te louvamos porque na Tua casa «até o pássaro encontrou casa, e a andorinha, ninho para si, onde acolha os seus filhos». Lembramos que chamas os seres humanos para cuidarem do Teu jardim honrando a dignidade de cada criatura e conservando os seus lugares na abundância de vida na Terra.
Mas sabemos que a nossa vontade de poder empurra o planeta além dos seus limites. O nosso consumo está fora da harmonia e fora do ritmo da capacidade da Terra de se curar. Os habitats ficam estéreis ou perdidos. As espécies perdem-se e os sistemas falham. Onde antes os recifes, as tocas, os cumes das montanhas e as profundezas do oceano fervilhavam de vida e de relações vivas, agora desertos áridos e secos jazem vazios, como se não tivessem sido criados. As famílias humanas são deslocadas pela insegurança e pelos conflitos, migrando em busca de paz. Os animais fogem de incêndios, desmatamento e fome, vagueando em busca de um novo lugar para encontrarem uma casa para os
seus filhotes e para viver.
Neste Tempo da Criação, rezamos para que o sopro de Tua Palavra criadora toque os nossos corações, como as águas do nosso nascimento e do nosso batismo. Dá-nos fé para seguir Cristo até ao nosso lugar propício na comunidade amada. Ilumina-nos com a graça de respondermos à Tua aliança e ao Teu chamamento para cuidarmos da nossa casa comum. No nosso cultivo e no nosso cuidado, alegra os nossos corações por sabermos que participamos com Teu Espírito Santo na renovação da face da Tua Terra e na salvaguarda de uma casa para todos.
Em nome daquele que veio proclamar a boa nova a toda a criação, Jesus Cristo.
Amém.

Carta do secretário do Dicastério para a promoção do desenvolvimento humano integral (Igreja católica romana)

13/06/2021

Igrejas Cristãs assinam memorando para proteção do ambiente e sustentabilidade ecológica

Foto: Agência Ecclesia/OC
Um grupo de Igrejas Cristãs em Portugal assinou hoje [12 de junho de 2021] um memorando de entendimento para o desenvolvimento do programa "Eco Igrejas Portugal", na Catedral de São Paulo, da Igreja Lusitana (Comunhão Anglicana), em Lisboa.
«O programa "Eco Igrejas Portugal" representa um momento de viragem ao assinalar que não chega as Igreja afirmarem o alinhamento dos seus princípios ecoteológicos, é necessário que também o demonstrem, através de projetos, com ações concretas e de forma transparente», explicou Olga Romão, do Conselho Português das Igrejas Cristãs (COPIC), na introdução à assinatura do memorando de entendimento.
O memorando de entendimento foi assinado pelo COPIC, a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), a Aliança Evangélica, a ONG "A Rocha" e a Rede "Cuidar da Casa Comum" que vão dar apoio à viabilização do programa.
O "Eco Igrejas Portugal" visa a promoção da ética da sustentabilidade, contida em princípios ecoteológicos, e a aplicação nas diferentes Igrejas e comunidades cristãs de indicadores de diagnóstico, educação e gestão ambiental, para uma melhoria contínua da sustentabilidade ecológica.
No final foi entregue a flor perpétua, em planta, como sinal de compromisso com a Criação.
A CEP esteve representada na celebração pelo seu presidente, D. José Ornelas, e por D. Armando Esteves Domingues, bispo auxiliar do Porto e presidente da Comissão Episcopal Missão e Nova Evangelização.
Em declarações à Agência Ecclesia e à Rádio Renascença. D. José Ornelas afirmou que, no campo da proteção do ambiente, da ecologia integral, «é possível e necessário» um caminho «com toda a humanidade».
«Este apelo ganhou nova dimensão e nova presença com a encíclica "Laudato Si", aliada também à "Fratelli Tutti", porque é a ecologia humana: da justiça e da dignidade para todos que isto tem a ver com a humanidade no seu conjunto e é algo determinante», desenvolves.
Neste contexto, salientou que «muitos desses valores passaram para a sociedade vindos do Evangelho» e afirmou que, nestas e em outras causas, «não há dúvidas» que as Igrejas Cristãs têm feito «um caminho muito importante e devem continuar a fazê-lo».
«A fé em comum explicita-se em diversos modos, podemos ir fazendo caminhos que nos levem a uma maior unidade entre nós», referiu o bispo de Setúbal.
Entre os presentes estiveram o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa; o presidente da Comissão da Liberdade Religiosa, José Vera Jardim; responsáveis religiosos e da sociedade civil.
A assinatura do memorando conjunto realizou-se numa celebração que assinalou o 50.º aniversário do Conselho Português de Igrejas Cristãs, do qual fazem parte as Igrejas Presbiteriana, Metodista, Lusitana e Evangélica Alemã do Porto, com o tema «Unidos no Amor e na Esperança», bem como 20.º aniversário da Lei da Liberdade Religiosa em Portugal e as duas décadas da Carta Ecuménica para a Europa.

BC/OC

24/05/2021

Celebração ecuménica na véspera de Pentecostes

Uma iniciativa da Comissão Ecuménica do Porto


A Igreja Paroquial de Cedofeita acolheu uma celebração organizada pela Comissão Ecuménica do Porto. Foi na noite de sábado 22 de maio, véspera de domingo de Pentecostes.
Uma celebração vivida em ritmo de Vigília de Pentecostes e na qual estiveram presentes D. Manuel Linda, bispo do Porto pela Igreja Católica, o bispo Sifredo Teixeira pela Igreja Metodista e D. Jorge Pina Cabral, pela Igreja Lusitana da Comunhão Anglicana.
Presentes também o padre Mário Henrique Melo, responsável pela Comissão Diocesana para o Ecumenismo do Porto e o padre Fernando Silva, pároco de Cedofeita e anfitrião desta celebração.
A pandemia de covid-19 impediu que este momento celebrativo acontecesse em janeiro por ocasião da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Teve lugar agora na Vigília de Pentecostes.
Foi a Comunidade Monástica de Grandchamp que preparou os textos do encontro anual de oração com a intenção da unidade entre os cristãos. «Permanecei no meu amor e produzireis muitos frutos» é o tema central.
A homilia da Celebração ecuménica coube ao bispo Sifredo Teixeira, da Igreja Metodista. «A oração tem o poder de ultrapassar as dificuldades» – afirmou o bispo sublinhando que «vivemos um tempo difícil» no qual «sentimos medo e preocupação» sobretudo com as pessoas que estão sozinhas.
No entanto, «há boas notícias» – frisou o bispo referindo as «iniciativas solidárias» que têm existido para «ajudar os que precisam». Deixou uma pista para reflexão: estamos a fazer isto? Ou seja, estamos a ser solidários com quem precisa?
Sifredo Teixeira concluiu a sua homilia afirmando que para «permanecer» no amor de Jesus a «Igreja de Cristo terá que dizer sim» a ser humilde como Jesus, a perdoar como Jesus e a viver e servir como Jesus.

RS